O zinco é o mineral mais estudado no contexto da fertilidade masculina. Sua concentração no líquido seminal é até 100 vezes maior do que no sangue, e ele participa diretamente da produção de testosterona, da maturação dos espermatozoides e da proteção do DNA espermático. Estima-se que até 17% da população mundial tenha ingestão inadequada de zinco, o que torna a avaliação desse mineral um passo importante para homens que estão se preparando para a paternidade.
O papel do zinco na reprodução masculina
O zinco participa de mais de 300 reações enzimáticas no corpo humano. Na reprodução masculina, ele atua em pelo menos quatro frentes simultâneas.
Primeiro, na síntese de testosterona. O zinco é necessário para o funcionamento adequado das células de Leydig nos testículos, responsáveis pela produção desse hormônio. Estudos clássicos, como o publicado por Prasad et al., demonstraram que a restrição de zinco em homens jovens saudáveis levou a queda significativa nos níveis de testosterona em poucas semanas.
Segundo, na espermatogênese. O processo de formação, maturação e diferenciação dos espermatozoides dura cerca de 74 dias e depende de zinco em várias etapas. O mineral está envolvido na estabilização da cromatina espermática (o “empacotamento” do DNA) durante as fases finais de maturação.
Terceiro, na proteção antioxidante. O zinco é cofator da enzima superóxido dismutase (SOD), uma das principais defesas do organismo contra o estresse oxidativo. No sêmen, o estresse oxidativo é uma das causas mais documentadas de fragmentação do DNA espermático, um fator que afeta a fertilização e o desenvolvimento embrionário.
Quarto, na capacitação espermática. Esse é o processo que ocorre no trato reprodutivo feminino, onde o espermatozoide adquire a capacidade de fertilizar o óvulo. O zinco, presente em altas concentrações no fluido prostático, regula esse processo de forma fina.
O que a ciência mostra
A evidência sobre zinco e fertilidade masculina é extensa e consistente. Uma meta-análise publicada no Asian Journal of Andrology consolidou resultados de múltiplos estudos e encontrou que homens inférteis apresentam níveis significativamente menores de zinco no plasma seminal em comparação com homens férteis.
Um estudo publicado na Fertility and Sterility avaliou a combinação de zinco com ácido fólico e observou aumento na contagem espermática total em homens subférteis. Embora os resultados variem entre as pesquisas e nem todos os estudos encontrem efeitos significativos, a associação entre zinco e parâmetros seminais é uma das mais replicadas na literatura andrológica.
Outro estudo, publicado no Journal of Reproduction & Infertility, investigou homens inférteis com astenozoospermia (baixa motilidade) e encontrou que aqueles com menores níveis de zinco seminal tinham pior motilidade e maior fragmentação de DNA.
O biomédico e nutricionista Murilo Murr contextualiza: “O zinco é um mineral que costumo avaliar com atenção nos exames do parceiro masculino. É comum encontrar níveis subótimos, especialmente em homens que consomem pouca carne vermelha ou que praticam exercício intenso sem compensar as perdas. Corrigir isso pode fazer diferença real nos parâmetros do espermograma.”
Fontes alimentares e biodisponibilidade
Antes de pensar em suplemento, vale entender onde o zinco está presente na alimentação e por que nem todas as fontes são iguais.
A ostra é disparada a fonte mais concentrada de zinco, com cerca de 74 mg por 100 g (mais de 5 vezes a recomendação diária). Na sequência vêm as carnes vermelhas (5-7 mg/100g), frango, fígado, frutos do mar como caranguejo e lagosta, sementes de abóbora, castanha de caju, feijão e grão-de-bico.
Um ponto importante: a biodisponibilidade varia conforme a fonte. Alimentos de origem animal oferecem zinco de melhor absorção. Grãos, leguminosas e sementes contêm fitatos, substâncias que se ligam ao zinco e reduzem sua absorção intestinal. Isso não significa que fontes vegetais sejam inúteis, mas quem segue uma dieta predominantemente vegetal pode precisar consumir quantidades maiores ou adotar técnicas que reduzem os fitatos, como deixar grãos de molho, germinar sementes ou fermentar.
Para quem consome uma alimentação equilibrada e variada, com fontes animais regulares, a ingestão adequada desse mineral é perfeitamente alcançável sem suplementação. O problema aparece quando há restrição alimentar, preferência marcante por ultraprocessados (que são pobres em nutrientes) ou condições que aumentam a perda ou reduzem a absorção.
Quando considerar suplementação
A suplementação de zinco faz sentido em contextos específicos, não como regra geral para todos os homens. Algumas situações que merecem avaliação:
Parâmetros espermáticos alterados. Se o espermograma mostra baixa motilidade, concentração reduzida ou morfologia alterada, vale investigar os níveis como parte da avaliação.
Alimentação restritiva. Vegetarianos estritos, veganos ou homens com dieta limitada em fontes animais têm maior risco de ingestão inadequada. Atletas de alta intensidade também, pelas perdas via suor.
Sinais clínicos sugestivos. Queda de cabelo, cicatrização lenta, alterações no paladar e infecções frequentes podem ser indicativos de deficiência, embora não sejam específicos.
Um cuidado essencial: o excesso de zinco compete com a absorção de cobre. Suplementar zinco por tempo prolongado sem monitorar o cobre pode causar deficiência desse outro mineral, gerando problemas hematológicos e neurológicos. Por isso, a suplementação nunca deve ser feita por conta própria ou por tempo indefinido.
As formas do mineral encontradas em suplementos também variam em absorção. O zinco picolinato e o zinco bisglicinato são formas com melhor biodisponibilidade do que o óxido de zinco, que é a forma mais barata e menos absorvida. A escolha da forma e da dosagem é uma decisão clínica, não de prateleira de farmácia.
O zinco no contexto do casal
Embora o foco deste artigo seja a fertilidade masculina, o zinco também importa para ela. Ele participa da maturação dos óvulos, da divisão celular pós-fertilização e da regulação de hormônios como FSH e LH. Níveis adequados de zinco estão associados a melhor qualidade ovocitária em estudos de FIV.
Para o casal que está se preparando, avaliar o zinco de ambos faz parte de uma abordagem completa. Ele se encaixa naturalmente ao lado de outros suplementos com evidência, como CoQ10, vitamina D e folato. A decisão de incluir ou não no protocolo depende do perfil de cada pessoa, e é exatamente isso que uma suplementação bem orientada resolve.
Perguntas frequentes
Por que o zinco é tão importante para a fertilidade masculina?
Ele participa da produção de testosterona, da maturação dos espermatozoides e da proteção do DNA espermático. A concentração de zinco no líquido seminal é até 100 vezes maior do que no sangue.
Quais alimentos são ricos em zinco?
Ostras (a fonte mais concentrada), carnes vermelhas, frango, frutos do mar, sementes de abóbora, castanha de caju, feijão e grão-de-bico. Fontes animais têm melhor absorção do que fontes vegetais.
A deficiência é comum?
Estima-se que até 17% da população mundial tenha ingestão inadequada. Vegetarianos, atletas e pessoas com distúrbios gastrointestinais têm maior risco.
O zinco também importa para a fertilidade feminina?
Sim. Ele participa da maturação dos óvulos, divisão celular e regulação hormonal. Mas a evidência é mais robusta e específica para a fertilidade masculina.
Posso suplementar por conta própria?
Não é recomendável. O excesso de zinco pode causar deficiência de cobre, alterações gastrointestinais e redução da função imune. A suplementação deve ser orientada por profissional.
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Sobre o autor: Murilo Murr é Biomédico (CRBM 17665) e Nutricionista (CRN3 51723) especializado em fertilidade natural e saúde reprodutiva do casal. Criador do Método Casal Mais Fértil.
Aviso: Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica ou nutricional individualizada. Decisões sobre suplementação devem ser tomadas com acompanhamento profissional, considerando o perfil clínico de cada pessoa.
Última atualização: abril de 2026.
Referências
- Colagar AH, Marzony ET, Chaichi MJ. Zinc levels in seminal plasma are associated with sperm quality in fertile and infertile men. Nutrition Research. 2009;29(2):82-88. doi:10.1016/j.nutres.2008.11.007
- Wong WY, Merkus HMWM, Thomas CMG, et al. Effects of folic acid and zinc sulfate on male factor subfertility: a double-blind, randomized, placebo-controlled trial. Fertility and Sterility. 2002;77(3):491-498. doi:10.1016/S0015-0282(01)03229-0
- Prasad AS, Mantzoros CS, Beck FWJ, Hess JW, Brewer GJ. Zinc status and serum testosterone levels of healthy adults. Nutrition. 1996;12(5):344-348. doi:10.1016/S0899-9007(96)80058-X
- Zhao J, Dong X, Hu X, et al. Zinc levels in seminal plasma and their correlation with male infertility: a systematic review and meta-analysis. Scientific Reports. 2016;6:22386. doi:10.1038/srep22386
- Fallah A, Mohammad-Hasani A, Colagar AH. Zinc is an essential element for male fertility: a review of Zn roles in men’s health, germination, sperm quality, and fertilization. Journal of Reproduction & Infertility. 2018;19(2):69-81. PMID: 30009140

