Saber quando procurar um especialista em fertilidade pode encurtar em meses ou anos o caminho até a concepção. As principais sociedades de medicina reprodutiva recomendam investigação após 12 meses de tentativas para mulheres com menos de 35 anos, 6 meses para mulheres entre 35 e 39, e avaliação imediata para mulheres com 40 anos ou mais. Além da idade, existem sinais de alerta que justificam antecipar a busca por orientação profissional, independentemente de quanto tempo o casal esteja tentando.

 

Os prazos por faixa etária

Esses marcos são definidos pela ASRM e pelo NICE e servem como referência para casais sem fatores de risco conhecidos que estão tendo relações regulares durante o período fértil:

Mulher com menos de 35 anos: investigar após 12 meses sem concepção. Nessa faixa, a fecundabilidade média é de 20 a 25% por ciclo, o que significa que é estatisticamente normal levar vários meses. A maioria dos casais nessa faixa etária concebe dentro de um ano.

Mulher entre 35 e 39 anos: investigar após 6 meses. A probabilidade por ciclo já é menor e o declínio da reserva ovariana se acelera nesse intervalo. Cada mês de espera tem mais peso.

Mulher com 40 anos ou mais: buscar avaliação o quanto antes, idealmente antes mesmo de iniciar as tentativas. Aos 40, a probabilidade de concepção por ciclo é de 5 a 8%, e a proporção de óvulos com alterações cromossômicas ultrapassa 60%. O tempo é o recurso mais escasso. Para uma visão mais completa sobre como a idade afeta a fertilidade, veja o artigo sobre fertilidade depois dos 35.

 

Sinais de alerta que justificam antecipar a investigação

Os prazos acima valem para casais sem fatores de risco. Se alguma das situações abaixo se aplica, não esperem completar o prazo. Procurem avaliação desde já:

Menstruação ausente ou muito irregular. Se a menstruação está ausente por mais de 3 meses (sem gravidez ou uso de anticoncepcional), ou se os ciclos variam consistentemente para menos de 21 ou mais de 35 dias, pode haver anovulação. Entender o ciclo menstrual e seus sinais ajuda a identificar irregularidades cedo.

Histórico de endometriose ou diagnóstico de SOP. Ambas são condições que afetam diretamente a fertilidade. Endometriose pode causar aderências e comprometer as trompas. SOP está associada a anovulação crônica. Se o diagnóstico já existe, a investigação de fertilidade deve fazer parte do planejamento desde o início.

Cirurgias pélvicas ou abdominais anteriores. Apendicectomia, cirurgias ovarianas, cesárea com complicações ou qualquer procedimento que possa ter gerado aderências na região pélvica justifica avaliar a permeabilidade das trompas antes de investir muitos meses em tentativas naturais.

Dor pélvica intensa durante a menstruação ou relação sexual. Pode indicar endometriose não diagnosticada. Dor pélvica crônica não é “normal” e merece investigação, especialmente quando o casal deseja engravidar.

Espermograma previamente alterado. Se o homem já fez o exame e os resultados vieram fora da referência, a investigação deve avançar. Não faz sentido esperar meses “para ver se melhora” sem orientação profissional. Entender o que o espermograma revela é o primeiro passo.

Dois ou mais abortamentos espontâneos. Abortos de repetição podem indicar alterações cromossômicas, problemas de coagulação, alterações uterinas ou insuficiência de progesterona. Investigação especializada é indicada.

Doenças crônicas em qualquer dos parceiros. Diabetes, doenças da tireoide, doenças autoimunes e tratamentos com medicações que afetam a fertilidade (como certos antidepressivos ou quimioterápicos) justificam orientação precoce.

 

Especialistas em Fertilidade: Qual profissional procurar

Existem caminhos diferentes, e o melhor depende da situação:

Ginecologista: Pode iniciar a investigação básica feminina (exames hormonais, ultrassom, solicitação de espermograma para o parceiro). É o ponto de partida mais acessível para a maioria dos casais. Se a causa for identificada e tratável nesse nível (hipotireoidismo, hiperprolactinemia, SOP leve), o ginecologista pode conduzir o tratamento.

Médico especialista em reprodução humana: Indicado quando a investigação básica não identifica a causa, quando a causa exige tratamento especializado (como indução de ovulação complexa ou inseminação intrauterina), ou quando o casal está considerando reprodução assistida. É o profissional com maior experiência específica em fertilidade.

Urologista ou andrologista: Para investigação aprofundada do fator masculino, especialmente quando o espermograma está alterado e a causa não é evidente. Avalia varicocele, obstruções, alterações hormonais masculinas e outras condições.

Nutricionista especializado em fertilidade: Complementa o trabalho médico com orientação sobre alimentação e suplementação baseada em evidências. De acordo com o biomédico e nutricionista Murilo Murr, “o acompanhamento nutricional não substitui a investigação médica, mas potencializa os resultados. Muitos casais que atendo conseguem melhorar parâmetros do espermograma e regularizar ciclos apenas com ajustes na alimentação e suplementação adequada.”

 

O que esperar da primeira consulta

A primeira consulta é, na maior parte, conversa e planejamento. O profissional vai querer entender o histórico do casal: tempo de tentativas, regularidade do ciclo, histórico médico e cirúrgico de ambos, medicamentos em uso, estilo de vida.

A partir daí, os exames de investigação são solicitados em sequência lógica (nível 1, 2, 3) conforme a necessidade.

Dica para aproveitar melhor a consulta: Levem preparados um registro de 2 a 3 meses do ciclo menstrual (datas, duração, sintomas observados), espermograma prévio (se houver), lista de medicamentos e suplementos em uso, e qualquer exame recente que já tenham. Quanto mais informação organizada, mais produtiva será a consulta e menos retornos serão necessários.

 

Procurar ajuda não é sinal de fracasso

Muitos casais adiam a investigação por medo, vergonha ou pela crença de que “vai acontecer naturalmente se esperarmos mais”. Em muitos casos, acontece mesmo. Mas em outros, meses se transformam em anos enquanto uma causa tratável permanece sem diagnóstico.

Os fatores que prejudicam a fertilidade nem sempre dão sinais evidentes. E a maioria das causas identificadas na investigação tem tratamento, muitas vezes simples.

“Procurar orientação profissional é o oposto de desistir. É usar todos os recursos disponíveis a favor de vocês“, reforça Murilo Murr. “O casal que investiga cedo tem mais opções e mais tempo para agir.”

 

Perguntas Frequentes – Quando procurar um especialista em fertilidade

Qual médico procurar para investigar fertilidade?

O ginecologista pode iniciar a investigação básica. Para casos complexos, o especialista em reprodução humana é o mais indicado. Para o homem, urologista ou andrologista. Um nutricionista especializado pode complementar com orientação alimentar e de suplementação.

Procurar um especialista significa que vou precisar de fertilização in vitro?

Não necessariamente. Muitos casos se resolvem com ajustes no estilo de vida, tratamento de condições como hipotireoidismo ou SOP, ou procedimentos menos invasivos. A FIV é indicada para casos específicos, não é o primeiro passo.

A primeira consulta com um especialista em fertilidade é cara?

Consultas com ginecologistas e urologistas costumam ser cobertas pelo plano de saúde. Médicos de reprodução humana podem ter cobertura variável. Os exames iniciais geralmente são cobertos pela maioria dos planos conforme o rol da ANS.

Devo esperar completar o prazo recomendado se desconfio de algo errado?

Não. Se há menstruação ausente, ciclos muito irregulares, dor pélvica, histórico de endometriose, SOP, cirurgias pélvicas ou espermograma alterado, a investigação deve ser antecipada. Os prazos valem para casais sem fatores de risco.

O casal pode se preparar antes da primeira consulta?

Sim. Levem registro do ciclo menstrual (2 a 3 meses), espermograma prévio, lista de medicamentos e suplementos, e histórico médico de ambos. Informação organizada torna a consulta mais produtiva.

 

Plano Sob Medida Para Maximizar a Fertilidade do Casal

Se vocês estão em dúvida sobre o momento certo de procurar ajuda — ou já perceberam alguns sinais de alerta — o Programa Casal + Fértil foi desenvolvido para trazer clareza e direção nesse processo.

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A partir disso, vocês recebem um plano de ação personalizado para os próximos 90 dias, período essencial para melhorar a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides e orientar melhor os próximos passos.

A proposta é evitar perda de tempo com tentativas no escuro e agir com mais estratégia para aumentar as chances de uma gravidez natural.

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Leitura recomendada: Para entender todos os exames que podem ser solicitados, veja nosso artigo sobre exames de fertilidade. Para o panorama completo, leia o guia completo de fertilidade para casais.

Sobre o autor: Murilo Murr é Biomédico (CRBM 17665) e Nutricionista (CRN3 51723) especializado em fertilidade natural e nutrição reprodutiva. Criador do Método Casal Mais Fértil, ajuda casais a prepararem o corpo para a concepção com base em evidências científicas. Saiba mais sobre o Murilo.

Disclaimer: Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Cada caso é individual. Procure sempre orientação de profissionais de saúde qualificados.

Referências:

  1. Wilcox AJ, Dunson D, Baird DD. The timing of the “fertile window” in the menstrual cycle. BMJ. 2000;321(7271):1259-1262. doi:10.1136/bmj.321.7271.1259
  2. Practice Committee of ASRM. Optimizing natural fertility: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2022;117(1):53-63. doi:10.1016/j.fertnstert.2021.10.007
  3. Haimovici F, Anderson JL, Bates GW, et al. Stress, anxiety, and depression of both partners in infertile couples are associated with cytokine levels and adverse IVF outcome. American Journal of Reproductive Immunology. 2018;79(4):e12832. doi:10.1111/aji.12832
  4. Johnson SL, Dunleavy J, Gemmell NJ, Nakagawa S. Consistent age-dependent declines in human semen quality: a systematic review and meta-analysis. Ageing Research Reviews. 2015;19:22-33. doi:10.1016/j.arr.2014.10.007
  5. Girum T, Wasie A. Return of fertility after discontinuation of contraception: a systematic review and meta-analysis. Contraception and Reproductive Medicine. 2018;3:24. doi:10.1186/s40834-018-0064-y