A fertilidade feminina começa a declinar de forma gradual a partir dos 32 anos e se acelera após os 37, segundo dados do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Aos 35, a probabilidade de concepção por ciclo é de cerca de 15%, contra 20-25% aos 25 anos. Esse declínio está ligado à redução da reserva ovariana e ao aumento de alterações cromossômicas nos óvulos, mas não significa que engravidar naturalmente seja impossível. Com preparação adequada, o casal pode otimizar significativamente suas chances.
O que acontece com a fertilidade depois dos 35 nas mulheres
A mulher nasce com todos os óvulos que terá na vida, cerca de 1 a 2 milhões ao nascimento. Na puberdade, restam aproximadamente 300 a 400 mil. A cada ciclo menstrual, um grupo de folículos é recrutado e a maioria se degenera. Aos 35 anos, a reserva ovariana já se reduziu de forma significativa, e a proporção de óvulos com alterações cromossômicas aumenta.
Essas alterações cromossômicas (aneuploidias) são a principal razão pela qual a fertilidade cai com a idade. Um óvulo com número anormal de cromossomos tem menor chance de ser fecundado, menor chance de se implantar e maior risco de abortamento espontâneo. Aos 25 anos, cerca de 20 a 30% dos óvulos apresentam aneuploidias. Aos 35, essa porcentagem sobe para aproximadamente 40 a 50%. Aos 40, ultrapassa 60%.
Na prática, isso se traduz em mais ciclos necessários para conceber. Dados do National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido mostram que cerca de 82% das mulheres de 35 anos que tentam regularmente concebem dentro de um ano. Aos 38, essa taxa cai para cerca de 70%. Aos 40, para aproximadamente 44%.
É importante manter a perspectiva: a maioria das mulheres entre 35 e 39 anos ainda consegue engravidar. O declínio é real, mas não é um abismo.
E a fertilidade depois dos 35 nos homens?
A narrativa popular trata o envelhecimento reprodutivo como algo exclusivamente feminino. Não é. A fertilidade masculina também declina com a idade, embora de forma mais gradual.
A partir dos 40 anos, estudos mostram redução progressiva na motilidade espermática, aumento na fragmentação do DNA e queda no volume seminal. Uma meta-análise publicada na Ageing Research Reviews identificou que homens acima de 40 têm tempo significativamente maior para concepção em comparação com homens mais jovens, independentemente da idade da parceira.
Além disso, a idade paterna avançada está associada a um risco ligeiramente maior de condições como autismo e esquizofrenia na prole. O risco absoluto permanece baixo, mas aumenta de forma proporcional à idade. Isso reforça um ponto central: a preparação para a concepção envolve os dois, não apenas a mulher.
Para entender como avaliar a fertilidade masculina, veja nosso artigo sobre fertilidade masculina e espermograma.
O que a ciência diz sobre reserva ovariana
Dois exames são usados para estimar a reserva ovariana: o hormônio anti-Mülleriano (AMH), medido por exame de sangue, e a contagem de folículos antrais (CFA), feita por ultrassom transvaginal.
O AMH reflete a quantidade de folículos em estágio inicial de desenvolvimento. Valores mais baixos indicam menor reserva. A CFA conta os folículos visíveis nos ovários no início do ciclo e complementa o AMH.
O que esses exames não fazem: prever a qualidade dos óvulos. Uma mulher com AMH baixo pode ter óvulos de excelente qualidade e engravidar sem dificuldade. Outra com AMH dentro da referência pode enfrentar problemas por outras razões. De acordo com o biomédico e nutricionista Murilo Murr, “o AMH diz quantos óvulos restam, não se eles são bons. Conheço casais que entraram em pânico com AMH baixo e engravidaram no ciclo seguinte. O exame é uma peça do quebra-cabeça, não o quebra-cabeça inteiro.”
Quando pedir esses exames: Para mulheres acima de 35 que estão planejando engravidar, é razoável solicitar AMH e CFA como ponto de partida. Valores baixos não são sentença, mas podem orientar a decisão de não postergar demais.
O que o casal pode fazer para otimizar as chances
A idade é o fator que vocês não podem mudar. Mas praticamente todos os outros fatores que influenciam a fertilidade estão ao seu alcance. E depois dos 35, otimizar esses fatores tem ainda mais impacto, porque a margem é menor.
1. Não adiem a investigação. Para mulheres com 35 anos ou mais, a recomendação das principais sociedades médicas é procurar avaliação após 6 meses de tentativas sem sucesso, e não os 12 meses recomendados para mulheres mais jovens. Para mulheres acima de 40, o ideal é buscar orientação antes mesmo de começar a tentar.
2. Priorizem a alimentação e a suplementação. A qualidade dos óvulos e espermatozoides é influenciada pelo estresse oxidativo. Uma alimentação rica em antioxidantes (frutas vermelhas, vegetais de folhas escuras, nozes, peixes gordurosos) e a suplementação adequada com ácido fólico, vitamina D, CoQ10 e ômega-3 podem fazer diferença mensurável. A nutrição é um dos quatro pilares do nosso guia completo de fertilidade para casais.
3. Identifiquem a janela fértil com precisão. Quando cada ciclo conta mais, errar o timing é desperdiçar uma oportunidade. Usem a combinação de muco cervical e testes de LH, como detalhamos no artigo sobre janela fértil. Quanto mais preciso o monitoramento, menos ciclos desperdiçados.
4. Cuidem do estilo de vida. Sono adequado, controle do estresse, atividade física moderada e peso dentro da faixa saudável são fatores que impactam diretamente a qualidade dos gametas. Depois dos 35, esses ajustes deixam de ser “recomendáveis” e passam a ser prioritários.
5. O homem também se prepara. Se a parceira tem mais de 35, o espermograma ganha ainda mais importância. Um fator masculino não diagnosticado somado à redução natural da fertilidade feminina pode ser a diferença entre conceber em poucos meses ou não conseguir. Fazer o espermograma cedo é uma das ações com melhor custo-benefício.
Quando procurar um especialista
Os marcos recomendados pelas principais sociedades de medicina reprodutiva:
Mulheres com menos de 35 anos: procurar investigação após 12 meses de tentativas regulares sem concepção.
Mulheres entre 35 e 39 anos: após 6 meses.
Mulheres com 40 anos ou mais: buscar avaliação o mais cedo possível, idealmente antes de começar a tentar.
Esses prazos valem para casais sem fatores de risco conhecidos. Se há histórico de endometriose, SOP, cirurgias pélvicas, espermograma alterado ou doenças crônicas, a avaliação deve ser antecipada independentemente da idade.
“Procurar um especialista não significa que vocês falharam. Significa que estão usando todos os recursos disponíveis”, reforça Murilo Murr. “Muitos casais perdem meses desnecessários por vergonha ou pela crença de que vai acontecer naturalmente se esperarem mais um pouco.”
Perguntas Frequentes – Fertilidade Depois dos 35
A partir de que idade a fertilidade feminina começa a cair?
O declínio começa gradualmente a partir dos 32 anos e se acelera após os 37. Aos 30, a probabilidade de concepção por ciclo é de cerca de 20%. Aos 35, cai para aproximadamente 15%. Aos 40, fica em torno de 5 a 8%.
A idade do homem também afeta a fertilidade?
Sim. A partir dos 40 anos, há redução na motilidade espermática, aumento na fragmentação do DNA e maior tempo para concepção. O declínio é mais gradual que o feminino, mas existe e deve ser considerado.
É possível engravidar naturalmente depois dos 35?
Sim. Cerca de 82% das mulheres de 35 anos que tentam regularmente concebem dentro de um ano. Pode levar mais tempo do que aos 25, mas a maioria consegue. Preparação com alimentação, suplementação e estilo de vida saudável otimiza as chances.
Quanto tempo devo tentar antes de procurar um especialista?
Para mulheres com menos de 35: 12 meses. Para mulheres com 35 ou mais: 6 meses. Para mulheres acima de 40: o mais cedo possível, de preferência antes de começar a tentar.
O exame de reserva ovariana é confiável para prever minhas chances?
Parcialmente. O AMH e a contagem de folículos antrais avaliam a quantidade de óvulos, mas não a qualidade. Uma mulher com AMH baixo pode ter óvulos bons e engravidar, enquanto outra com AMH normal pode ter dificuldades. São úteis como parte do quadro geral, não como previsão definitiva.
Um Plano Para Otimizar a Fertilidade Após os 35

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A partir disso, vocês recebem um plano de ação personalizado para os próximos 90 dias, período essencial para otimizar a saúde reprodutiva e alinhar melhor as tentativas.
A proposta é ajustar o que é possível dentro desse contexto e aumentar as chances de uma gravidez natural de forma mais estratégica.
Leitura recomendada: Para o quadro completo da fertilidade do casal, leia o guia completo de fertilidade para casais. Para entender como identificar o melhor momento para conceber, veja o artigo sobre janela fértil.
Sobre o autor: Murilo Murr é Biomédico (CRBM 17665) e Nutricionista (CRN3 51723) especializado em fertilidade natural e nutrição reprodutiva. Criador do Método Casal Mais Fértil, ajuda casais a prepararem o corpo para a concepção com base em evidências científicas. Saiba mais sobre o Murilo.
Disclaimer: Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Cada caso é individual. Procure sempre orientação de profissionais de saúde qualificados.
Referências:
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Committee Opinion No. 589: Female age-related fertility decline. Obstetrics & Gynecology. 2014;123(3):719-721. doi:10.1097/01.AOG.0000444440.96486.61
- NICE. Fertility problems: assessment and treatment. Clinical guideline [CG156]. 2017 (updated 2024). nice.org.uk
- Broekmans FJ, Soules MR, Fauser BC. Ovarian aging: mechanisms and clinical consequences. Endocrine Reviews. 2009;30(5):465-493. doi:10.1210/er.2009-0006
- Johnson SL, Dunleavy J, Gemmell NJ, Nakagawa S. Consistent age-dependent declines in human semen quality: a systematic review and meta-analysis. Ageing Research Reviews. 2015;19:22-33. doi:10.1016/j.arr.2014.10.007
- Practice Committee of ASRM. Testing and interpreting measures of ovarian reserve: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2020;114(6):1151-1157. doi:10.1016/j.fertnstert.2020.09.134

