A investigação da dificuldade de engravidar começa com exames de fertilidade simples e acessíveis que identificam as causas mais comuns de dificuldade para engravidar. O espermograma avalia o fator masculino, enquanto dosagens hormonais e ultrassom pélvico mapeiam a função reprodutiva feminina. Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), essa investigação básica identifica a causa em aproximadamente 80% dos casos, permitindo ao casal tomar decisões informadas sobre os próximos passos.

 

Quando começar a investigar

As sociedades médicas definem prazos diferentes conforme a idade da mulher:

Menos de 35 anos: investigar após 12 meses de relações regulares sem concepção.
35 a 39 anos: após 6 meses.
40 anos ou mais: buscar avaliação o mais cedo possível, de preferência antes de começar a tentar.

Esses prazos valem para casais sem fatores de risco conhecidos. Se há histórico de endometriose, SOP, cirurgias pélvicas, menstruação ausente ou irregular, ou espermograma previamente alterado, a investigação deve ser antecipada independentemente da idade. Falamos sobre esses marcos com mais detalhe no artigo sobre fertilidade depois dos 35.

De acordo com o biomédico e nutricionista Murilo Murr, “muitos casais que atendo poderiam ter começado a investigação meses antes. Pedir exames básicos não significa que algo está errado. Significa que vocês estão sendo estratégicos.”

 

Exames de fertilidade para ele

Espermograma

É o exame mais importante da investigação masculina e deveria ser o primeiro solicitado. Avalia volume do ejaculado, concentração espermática, motilidade e morfologia, comparando com os valores de referência da OMS (2021).

Detalhamos os parâmetros, como interpretar resultados alterados e o que fazer em cada caso no artigo específico sobre fertilidade masculina e espermograma.

Quando pedir: Idealmente no início da investigação, junto com os exames femininos. Não faz sentido a mulher passar por exames invasivos antes de o espermograma ser avaliado.

Dosagens hormonais masculinas

Se o espermograma vier alterado, o médico pode solicitar testosterona total, FSH e LH para investigar se a causa é hormonal. FSH elevado com espermograma muito alterado pode indicar dano testicular. Testosterona baixa pode explicar redução na espermatogênese.

Fragmentação do DNA espermático

Exame complementar que avalia a integridade do material genético dos espermatozoides. Não faz parte da investigação inicial, mas pode ser solicitado quando o espermograma está normal mas o casal não consegue conceber, ou quando há abortamentos de repetição sem causa identificada.

 

Exames de fertilidade para ela

Dosagens hormonais basais

Coletadas entre o 2º e o 5º dia do ciclo menstrual. Os hormônios avaliados e o que cada um revela:

FSH (hormônio folículo-estimulante): Níveis basais elevados (acima de 10 UI/L) podem sugerir reserva ovariana diminuída. O ovário que tem menos folículos precisa de mais estímulo, e o cérebro responde aumentando o FSH.

LH (hormônio luteinizante): Avaliado em conjunto com o FSH. Uma relação LH/FSH elevada (acima de 2:1) é um dos marcadores laboratoriais da síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Estradiol: Valores basais muito elevados (acima de 60-80 pg/ml) no início do ciclo podem indicar resposta ovariana anormal e mascaram o valor do FSH, tornando a interpretação conjunta necessária.

Prolactina: Níveis elevados (hiperprolactinemia) podem inibir a ovulação. É uma causa tratável de infertilidade, geralmente corrigida com medicação.

TSH (hormônio tireoestimulante): A função tireoidiana afeta diretamente a fertilidade. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem causar irregularidade menstrual e dificultar a concepção. A maioria dos especialistas considera que o TSH ideal para concepção deve estar abaixo de 2,5 mUI/L.

Progesterona de fase lútea

Coletada entre o 19º e o 23º dia do ciclo (em ciclos de 28 dias, ajustar se o ciclo for diferente). Confirma se a ovulação aconteceu. Valores acima de 3 ng/ml indicam que houve ovulação. Valores acima de 10 ng/ml sugerem ovulação adequada com boa produção de progesterona.

Hormônio anti-Mülleriano (AMH)

Pode ser dosado em qualquer dia do ciclo, o que o torna prático. Reflete a reserva ovariana (quantidade de folículos). Valores de referência variam com a idade, mas como regra geral: acima de 1,0 ng/ml é considerado adequado, entre 0,5 e 1,0 é baixo, e abaixo de 0,5 é muito baixo. Lembrem-se: AMH mede quantidade, não qualidade. Falamos mais sobre isso no artigo sobre fertilidade depois dos 35.

Ultrassom pélvico transvaginal

Realizado idealmente no início do ciclo (dias 2 a 5) para a contagem de folículos antrais (CFA), que complementa o AMH na avaliação da reserva ovariana. Também identifica alterações anatômicas: miomas, pólipos endometriais, cistos ovarianos e sinais de endometriose.

Histerossalpingografia (HSG)

Exame de imagem que avalia a permeabilidade das trompas de Falópio e a cavidade uterina. Um contraste é injetado pelo colo do útero e radiografias registram a passagem. Se o contraste flui livremente pelas trompas, elas estão pérvias (abertas). Se para em algum ponto, pode haver obstrução.

A obstrução tubária é responsável por cerca de 25 a 30% dos casos de infertilidade feminina, o que torna esse exame parte essencial da investigação. Pode causar desconforto semelhante a cólica menstrual durante o procedimento, mas dura poucos minutos.

Quando pedir: Geralmente após os exames hormonais e o ultrassom, como segundo nível de investigação. Se há suspeita de doença tubária (histórico de infecção pélvica, cirurgia abdominal, endometriose), pode ser antecipado.

 

Organizando a investigação dos exames de fertilidade

A sequência lógica evita exames desnecessários e respeita a complexidade crescente:

Nível 1 (exames iniciais, para ambos): Espermograma + dosagens hormonais basais (FSH, LH, estradiol, prolactina, TSH) + ultrassom pélvico transvaginal + progesterona de fase lútea. São exames simples, acessíveis e que cobrem as causas mais frequentes.

Nível 2 (se o nível 1 não explicou): AMH + histerossalpingografia + dosagens hormonais masculinas (se espermograma alterado). Aprofundam a investigação da reserva ovariana e da anatomia.

Nível 3 (investigação avançada): Fragmentação de DNA espermático + histeroscopia diagnóstica + laparoscopia. Reservados para casos em que os exames anteriores não identificaram a causa ou há suspeita específica.

“A investigação não precisa ser exaustiva de cara”, explica Murilo Murr. “Começar pelos exames básicos e avançar conforme a necessidade evita custos desnecessários e ansiedade. O nível 1 resolve a maioria dos casos.”

 

Perguntas Frequentes – Exames de Fertilidade

Quais exames de fertilidade o casal deve fazer primeiro?

Espermograma para o homem e, para a mulher, dosagens hormonais (FSH, LH, estradiol, prolactina, TSH, progesterona) e ultrassom pélvico. Esses exames cobrem as causas mais comuns e são o ponto de partida recomendado.

Em que dia do ciclo os exames hormonais devem ser feitos?

A maioria das dosagens basais (FSH, LH, estradiol, prolactina, TSH e AMH) deve ser feita entre o 2º e o 5º dia do ciclo. A progesterona é a exceção: entre o 19º e o 23º dia, para confirmar ovulação.

O que é o exame AMH e para que serve?

O AMH mede a reserva ovariana, ou seja, a quantidade de folículos disponíveis. Pode ser feito em qualquer dia do ciclo. Valores baixos indicam menor reserva, mas não avaliam a qualidade dos óvulos. É especialmente útil para mulheres acima de 35.

A histerossalpingografia dói?

Pode causar desconforto semelhante a uma cólica menstrual moderada durante a injeção do contraste. A intensidade varia, mas geralmente dura poucos minutos. O médico pode orientar o uso de anti-inflamatório antes do procedimento para reduzir o desconforto.

Exames de fertilidade são cobertos pelo plano de saúde?

No Brasil, a maioria dos exames de investigação básica (espermograma, hormônios, ultrassom) é coberta conforme o rol da ANS. HSG e AMH também costumam ter cobertura, mas vale confirmar com a operadora. Procedimentos de reprodução assistida têm cobertura variável.

 

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Leitura recomendada: Para entender os parâmetros do espermograma em detalhe, veja o artigo sobre fertilidade masculina e espermograma. Para o panorama completo, leia o guia completo de fertilidade para casais.

Sobre o autor: Murilo Murr é Biomédico (CRBM 17665) e Nutricionista (CRN3 51723) especializado em fertilidade natural e nutrição reprodutiva. Criador do Método Casal Mais Fértil, ajuda casais a prepararem o corpo para a concepção com base em evidências científicas. Saiba mais sobre o Murilo.

Disclaimer: Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Cada caso é individual. Procure sempre orientação de profissionais de saúde qualificados.

Referências:

  1. Practice Committee of ASRM. Diagnostic evaluation of the infertile female: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2015;103(6):e44-e50. doi:10.1016/j.fertnstert.2015.03.019
  2. Practice Committee of ASRM. Diagnostic evaluation of the infertile male: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2015;103(3):e18-e25. doi:10.1016/j.fertnstert.2014.12.103
  3. NICE. Fertility problems: assessment and treatment. Clinical guideline [CG156]. 2017 (updated 2024). nice.org.uk
  4. Practice Committee of ASRM. Testing and interpreting measures of ovarian reserve: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2020;114(6):1151-1157. doi:10.1016/j.fertnstert.2020.09.134
  5. Siristatidis C, Chrelias C, Salamalekis G, et al. Office hysteroscopy: current trends and potential applications. International Journal of Reproductive Medicine. 2014;2014:178196. doi:10.1155/2014/178196