Um homem com baixa motilidade espermática, tecnicamente chamada de astenozoospermia, significa que tem uma porcentagem menor de espermatozoides que conseguem se mover com eficiência suficiente para alcançar o óvulo. Isso reduz as chances de concepção natural, mas raramente as elimina. Em muitos casos, as causas são modificáveis, e melhorias consistentes acontecem em dois a três meses de mudanças orientadas.
O que o espermograma revela sobre a baixa motilidade
O espermograma é o exame que avalia as características do sêmen: concentração, motilidade, morfologia e outros parâmetros. Quando o assunto é motilidade, o laboratório analisa a porcentagem de espermatozoides que se movem e como se movem.
Os critérios da Organização Mundial da Saúde (5ª edição, 2021) classificam a motilidade em três categorias: progressiva (espermatozoides que avançam em linha reta ou em grandes círculos), não progressiva (movimento sem deslocamento efetivo) e imóvel. O parâmetro de referência é que pelo menos 42% dos espermatozoides tenham motilidade total e pelo menos 30% tenham motilidade progressiva.
Quando esses valores ficam abaixo do esperado, o diagnóstico é astenozoospermia. Ela pode ser isolada ou combinada com baixa concentração (oligozoospermia) ou morfologia alterada (teratozoospermia). Quanto mais parâmetros afetados, mais complexa a situação.
O que causa baixa motilidade espermática
A produção de espermatozoides saudáveis é um processo que leva cerca de 74 dias e é sensível a vários fatores. Os mais comuns por trás da astenozoospermia são:
Varicocele. Dilatação das veias do plexo pampiniforme, que drena o testículo. A varicocele aumenta a temperatura local, prejudica a oxigenação e eleva o estresse oxidativo nas células da espermatogênese. É a causa identificável mais comum de infertilidade masculina, presente em cerca de 35% dos homens com alteração espermática.
Estresse oxidativo. Os espermatozoides são particularmente vulneráveis ao dano por radicais livres, que comprometem a membrana celular e o DNA. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, alimentação pobre em antioxidantes e exposição a poluentes aumentam a carga oxidativa no sêmen.
Calor escrotal. A espermatogênese ocorre a uma temperatura 2 a 4°C abaixo da temperatura corporal central. Laptops apoiados no colo, banhos quentes prolongados frequentes, sauna regular, roupas íntimas muito justas e trabalho em ambientes quentes elevam a temperatura escrotal e prejudicam a qualidade dos espermatozoides.
Deficiências nutricionais. Zinco, selênio, vitamina C, vitamina E, folato e CoQ10 têm papéis documentados na espermatogênese. Deficiências dessas substâncias aparecem com frequência em homens com alterações espermáticas.
Uso de anabolizantes ou testosterona exógena. Testosterona administrada externamente suprime o eixo hipotálamo-hipófise-testículo, reduzindo drasticamente ou zerando a produção endógena de espermatozoides. Esse efeito pode persistir por meses após a interrupção do uso.
Infecções genitais. Infecções no epidídimo ou próstata podem afetar a composição do plasma seminal e prejudicar a motilidade.
O que pode ser melhorado antes de tentar engravidar
A produção de espermatozoides é renovada continuamente. Um espermatozoide que está no ejaculado hoje começou a ser produzido cerca de 74 dias atrás. Isso significa que mudanças feitas agora refletem no espermograma daqui a dois a três meses.
Eliminar tabaco. O cigarro aumenta significativamente o estresse oxidativo no sêmen. Estudos mostram que ex-fumantes têm motilidade espermática superior à de fumantes ativos, com melhora perceptível em dois a três meses após a cessação.
Reduzir álcool. Consumo frequente de álcool interfere na produção de testosterona e aumenta o dano oxidativo nos espermatozoides. A recomendação para homens tentando engravidar é moderar ou evitar durante o período de tentativa.
Controlar o calor escrotal. Evitar laptop no colo, encurtar banhos quentes, preferir roupas íntimas mais folgadas e reduzir uso de sauna são medidas simples com impacto documentado na qualidade espermática.
Suplementação direcionada. CoQ10, zinco, selênio, vitamina C, vitamina E e L-carnitina têm ensaios clínicos mostrando benefício na motilidade e na integridade do DNA espermático. O biomédico e nutricionista Murilo Murr destaca que a suplementação deve ser individualizada com base no perfil do espermograma e no histórico alimentar.
Alimentação anti-inflamatória. Padrão mediterrâneo, rico em vegetais coloridos, peixes gordurosos, azeite e oleaginosas, está associado a melhores parâmetros espermáticos em estudos observacionais.
Quando a avaliação médica especializada é necessária
Se o espermograma já mostrou baixa motilidade, o encaminhamento para um urologista com experiência em andrologia é o próximo passo. O especialista pode investigar causas estruturais como varicocele (que tem tratamento cirúrgico com evidência de melhora espermática), identificar infecções tratáveis e solicitar exames complementares como fragmentação de DNA espermático.
Para casais em que os dois já têm mais de 35 anos, ou quando a baixa motilidade é severa ou combinada com outros parâmetros alterados, a avaliação conjunta com especialista em reprodução humana abre a discussão sobre procedimentos como inseminação intrauterina ou fertilização in vitro com injeção intracitoplasmática (ICSI), que contorna a necessidade de motilidade natural.
Perguntas Frequentes
O que é baixa motilidade espermática?
É quando menos de 42% dos espermatozoides têm motilidade total ou menos de 30% têm motilidade progressiva, conforme os critérios da OMS de 2021. Isso dificulta que os espermatozoides alcancem o óvulo, reduzindo as chances de fecundação natural.
Quais são as causas mais comuns de baixa motilidade espermática?
Varicocele, estresse oxidativo por tabagismo e álcool, exposição a calor excessivo, deficiências nutricionais de zinco, selênio e CoQ10, infecções genitais não tratadas e uso de anabolizantes ou testosterona exógena.
Baixa motilidade espermática tem tratamento?
Depende da causa. Quando associada a fatores de estilo de vida, mudanças consistentes ao longo de 90 dias costumam melhorar os resultados. Quando há varicocele, o tratamento pode aumentar significativamente a motilidade. Causas genéticas ou estruturais podem exigir reprodução assistida.
Quais suplementos ajudam na motilidade espermática?
Os com melhor evidência são CoQ10, vitamina C e E, zinco, selênio e L-carnitina. Todos atuam por vias antioxidantes e de suporte energético à espermatogênese. A suplementação não substitui a investigação da causa subjacente.
É possível engravidar naturalmente com baixa motilidade espermática?
Depende do grau. Astenozoospermia leve a moderada com concentração e morfologia preservadas ainda permite concepção natural, especialmente com timing preciso. Casos severos ou combinados com outros parâmetros alterados costumam exigir avaliação com urologista e, possivelmente, reprodução assistida.
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica, avaliação urológica ou acompanhamento com especialista em reprodução humana. Toda decisão sobre planejamento familiar deve ser tomada em conjunto com profissionais de saúde habilitados.
Referências científicas
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- Agarwal A, Hamada A, Esteves SC. Insight into oxidative stress in varicocele-associated male infertility: part 1. Nat Rev Urol. 2012;9(12):678–690. https://doi.org/10.1038/nrurol.2012.197
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